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DOENÇA CRÍTICA CRONICA: SALVAMOS OU PRODUZIMOS VÍTIMAS?

O que são pacientes com doença crítica crônica (DCC)?

São aqueles que apresentam permanência prolongada de internação em hospitais. Apresentam intenso sofrimento, alta taxa de mortalidade e um gasto elevado em consumo de recursos.

Estes pacientes apresentam prolongada dependência de suportes para manutenção da vida. Esta síndrome varia de 10% a 30% de pacientes em UTI, como suportes ventilatórios prolongados, 3 a 4 semanas em ventilação mecânica (VM), traqueotomia devido à VM prolongada.

Nelson et al. propuseram um período de ventilação mecânica de 10 dias como indicativo para traqueotomia como marcador para DCC.

A distinção dos pacientes dependentes de VM em resultado de um distúrbio respiratório e/ou neuromuscular que não cumprem os critérios para a doença crítica, e os pacientes com DCC.

Os pacientes com DCC, mantém a inflamação persistente, distúrbios hormonais e neuromusculares com diminuição da imunidade, distúrbios humorais, e tem consumo progressivo das reservas fisiológicas.

Pacientes com DCC estão em risco de novas infecções durante a mesma hospitalização, em razão da barreira cutânea (úlceras de pressão, drenos e/ou cateteres), imunodeficiência pelo consumo progressivo das reservas biológicas, compartilhamento de ambiente com vários micro-organismos resistentes, virulentos e sem resposta a vários antibióticos. Apresentam alterações humorais principalmente hormônios do crescimento adrenal e tireoidiano.

Ainda apresentam caquexia (atrofia muscular), resistência insulínica, e esteatose hepática, como resultado deste ambiente inflamatório. Também são pacientes induzidos a hiperglicemia por indução da nutrição parenteral e à hipoglicemia induzida por uso endovenoso da insulina.

As desordens neuropsiquiátricas são comuns, entre elas a depressão, perda de memória, e alterações cognitivas. Os pacientes que conseguem sobreviver a depressão e a perda de memória tendem a persistir após a alta.

Perguntando a intensivistas na Nova Zelândia e Austrália quando o paciente era considerado um DCC?

Os relatos mais comuns, foram: insuficiência respiratória, delirium, fraqueza muscular, úlcera de pressão, desnutrição, sepse e insuficiência renal.

Os custos são altos com estes pacientes internados chegando às vezes quase 60% do custo total da UTI.

Não existe um protocolo ou uma abordagem eletiva para o DCC. Acredita-se que uma abordagem mais precoce, apropriadas para os doentes críticos grave s antes da entrada no UTI ou após sua admissão para o UTI, assim reduziria o uso da latência ate o uso de antibióticos ou nutrição, ressuscitação hemodinâmica e ventilação gentil.

Para diminuir a incidência de DCC, a melhor prática clínica, imediatamente após a admissão à UTI pode ser o uso de conjuntos apropriados de medidas e seguir a prudente recomendação de eu “menos é mais”.

Pacientes críticos correm o risco de sofrer DCC, caracterizada pela longa permanência, custos elevados, baixa sobrevivência no hospital e no pós-alta com intenso sofrimento, porem a prevalência da DCC permanece elevada gerando altos custos e importantes restrições para os sobreviventes.

Ainda há muito a se fazer para reduzir esta síndrome, e melhorar o seu desfecho.